Apneia do sono atinge mais de um terço da população e impulsiona busca por tratamentos

SonoFrax, da Medical San, é tecnologia nacional desenvolvida para procedimentos relacionados ao ronco e à apneia obstrutiva do sono

O SonoFrax, equipamento desenvolvido pela Medical San para procedimentos relacionados ao ronco e à apneia obstrutiva do sono, chega ao mercado em um cenário de alta prevalência do distúrbio e de novas evidências sobre seus efeitos na saúde. A quarta edição do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo (EPISONO), publicada em 2026, identificou apneia obstrutiva do sono em 37,12% da população analisada, índice que chegou a cerca de 45% entre os homens.

A tecnologia utiliza laser de dióxido de carbono de 10.600 nm para atuar sobre os tecidos moles da região orofaríngea. O equipamento promove aquecimento controlado dos tecidos e busca estimular sua remodelação e tensionamento, contribuindo para a estabilidade das estruturas envolvidas na passagem de ar durante o sono.

O SonoFrax foi desenvolvido no Brasil e é a única tecnologia nacional voltada a procedimentos para ronco e apneia obstrutiva do sono. O equipamento possui diferentes ponteiras para aplicações intraorais e em tecidos moles e não utiliza dispositivos externos durante o procedimento.

A apneia obstrutiva do sono ocorre quando a passagem de ar é parcial ou totalmente bloqueada durante o sono. Os episódios podem se repetir diversas vezes durante a noite, provocando quedas intermitentes na oxigenação do sangue e fragmentação do sono. Entre os efeitos estão sonolência diurna, cansaço, dificuldade de concentração e alterações de memória.

A prevalência encontrada pelo EPISONO varia conforme idade, sexo e índice de massa corporal. O estudo identificou maior ocorrência em pessoas mais velhas, homens e indivíduos com maior índice de massa corporal. Nos casos classificados como moderados e graves, a prevalência foi de 11,5% e 7,9%, respectivamente.

A relação entre a apneia e a saúde cardiovascular também é objeto de pesquisas recentes. Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 no Journal of Clinical Medicine reuniu 18 estudos prospectivos, com mais de 25 mil participantes e acompanhamento mediano de nove anos. A análise encontrou risco cardiovascular 82% maior entre pessoas com apneia obstrutiva do sono, com aumento progressivo conforme a gravidade da doença.

O ronco, embora nem sempre esteja relacionado à apneia, também pode ser um sinal de atenção. A vibração provocada pela passagem de ar pelas vias aéreas parcialmente estreitadas é uma das manifestações mais comuns dos distúrbios respiratórios do sono. Quando o ronco é frequente, alto ou acompanhado de pausas na respiração, sonolência durante o dia ou sensação de sufocamento durante a noite, a investigação médica pode indicar a presença de apneia.

Outro campo de estudo envolve os efeitos da doença sobre a cognição. Pesquisas relacionam a fragmentação do sono e as quedas repetidas na oxigenação a alterações de memória, atenção e concentração. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, identificou pior desempenho em testes de memória entre adultos com apneia. Entre os participantes que estavam em tratamento, os resultados foram semelhantes aos observados em pessoas sem o distúrbio.

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